Sapere e Sapore

pão de linhaça, janeiro de 2011

De acordo com os latinos, as palavras sapere e sapore possuem o mesmo radical. O saber, portanto, tem sabor. Em sua crônica Rubem Alves acrescenta “A sapiência usa o fogo da ciência para transformar o mundo em comida, objeto de deleite. Sábio é aquele que degusta. Mas se o cozinheiro só conhecer os saberes que moram na caixa de ferramentas é possível que o excesso de fogo queime a comida e, eventualmente, o próprio cozinheiro…” . Nunca consegui captar a mágica da minha mãe que lhe possibilitava fazer pães maravilhosos. A receita: “só por farinha, agua ou leite, um ovo, amassar e deixar crescer”. Cometi o sacrilégio de chegar a pensar que ela não queria entregar sua receita “mágica”. Anos passados me lembrei dos pães mágicos em uma palestra do professor Valente que para exemplificar uma explanação sobre conhecimento tácito contou a história de quando estava no exterior ligava para a mãe pedindo receita a mãe explicava minuciosamente até chegar na palavra  mágica: “cozinhar até dar o ponto. Mas que raios é esse tal de ponto”. Acho que foi a melhor forma de falar sobre conhecimento tácito.

Bom, não desisti de fazer os pães, ao longo dos anos alguns sairam bons, outros nem tanto, segui receitas, mas a maioria foram pães intuitivos. Na foto um desses com linhaça. Breve novos experimentos talvez agora mais científicos, espero que o cozinheiro não se queime.

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